A musculatura pélvica está localizada bem no chão da nossa pelve: é ela quem sustenta os nossos órgãos, especialmente o útero, a bexiga e parte do reto. Ela também tem a função de fazer o fechamento dos esfíncteres: uretra, vagina e reto, ou seja, é ela quem nos mantém continentes evitando a perda de fezes e de xixi. O Assoalho Pélvico é também o responsável pela nossa resposta sexual.

As disfunções do assoalho pélvico ocorrem quando uma dessas funções não estão ativas, quer dizer, não estão respondendo como deveriam. Entre as disfunções mais comuns estão as perdas de xixi (a famosa incontinência urinária) e os prolapsos dos órgãos pélvicos (descida dos órgãos, como o reto e a bexiga).

 

Incontinência urinária

Dentro das incontinências urinárias temos alguns tipos como a perda por esforço (ocasionada por espirro, tosse ou na realização de alguma atividade física) e a perda por urgência (quando a pessoa sente uma vontade repentina de ir ao banheiro e não dá tempo de chegar até lá). Há casos em que o paciente apresenta os dois tipos de perdas.

Mas, afinal, o que causa a incontinência? Alguns fatores trazem mais riscos para a doença:

–  Envelhecimento (que acarreta questões hormonais e a perda de colágeno, por exemplo);

–  Obesidade (que traz uma sobrecarga grande nessa musculatura);

– Pessoas que praticam atividade física de auto impacto sem que essa musculatura esteja preparada para o esforço;

– Gestação (devido ao aumento de peso corporal). No caso da incontinência ocasionada pela gestação vale lembrar que o problema independe do tipo de parto que a mulher viveu (cesárea ou parto normal) já que o risco para o assoalho vem do aumento de peso e não da via de parto. Vale lembrar ainda que a mulher que passou por várias gestações tem esse risco aumentado.

 

Como reconheço uma incontinência urinária?

É importante dizer que QUALQUER PERDA involuntária já é considerada incontinência urinária. Essa é uma informação muito preciosa porque muitas vezes a pessoa tem pouca perda (uma gotinha de xixi quando espirra, por exemplo) e como o escape não incomoda tanto, a pessoa acaba por não dar a devida importância e adia o tratamento. O problema é que se a busca por ajuda é prorrogada a tendência é haver piora nos sintomas e um tratamento que poderia durar pouco tempo com algumas orientações, pode se estender por um período maior devido à evolução da queixa.

A incontinência urinária pode ser ainda um indicativo de outras patologias, como diabetes, câncer, infecção (…). Então a dica é: perdeu urina porque tossiu ou espirrou? Busque ajuda de um profissional especializado o quanto antes.

 

Como reconheço um prolapso?

– Fique atenta à sensação de peso na vagina;

– Ao realizar a higiene perceba se há uma bolinha na região da vagina. Em caso positivo, busque ajuda pois pode ser um indicativo de prolapso dos órgãos pélvicos.

 

Como funciona o tratamento

Quando a mulher chega na consulta com a Fisioterapeuta Pélvica o primeiro passo é fazer uma avaliação do assoalho pélvico. Essa á uma avaliação íntima na qual o músculo do assoalho precisa ser tocado para verificar qual a real condição dessa musculatura: se está tensionada, se está fraca, se tem uma resistência de força (…). Só a partir desta avaliação é possível traçar um tratamento individualizado.

Alguns dos recursos que a fisioterapia usa no tratamento são os cones vaginais (como se fossem pesinhos): são cápsulas, com formato anatômico que é introduzido no canal vaginal e dão um estímulo nessa musculatura, ajudando a fortalecer na medida em que a paciente vai evoluindo com ele. Cada cone possui uma gramatura e essa é uma forma de treinar a força dessa musculatura.

Existe também o biofeedback que consegue dar uma resposta visual da atividade da musculatura. Nesse caso é introduzida uma sonda no canal vaginal que reproduz a contração dos músculos do assoalho e a transfere para uma tela que mostra, em forma de gráfico ou de luzes, o movimento dessas musculatura.

Além dos exercícios específicos para o períneo, a Fisioterapia Pélvica trabalha com exercícios globais, avaliando a pessoa como um todo, já que muitas queixas relacionadas à perda urinária estão relacionadas à postura também.

 

Quanto tempo dura o tratamento

Após a avaliação inicial a Fisioterapeuta pode então determinar o número de sessões que serão necessárias. A duração do tratamento vai depender muito de como a paciente chega e de quanto a disfunção está evoluída. Quando a pessoa busca ajuda já no início dos sintomas, normalmente após 5 sessões já é possível finalizar o tratamento. Nos demais casos, com essas cinco sessões iniciais já nota-se uma melhora e com 10 ou 12 sessões é possível ter a resolução da queixa.

 

Intervenção cirúrgica

Quanto mais protelar o tratamento, pior os sintomas vão ficando: então uma incontinência pequena, que poderia ser resolvida com fisioterapia pode se agravar para o uso de absorvente, para a necessidade do uso de fralda e, nos casos mais graves, evoluir para uma intervenção cirúrgica. No caso de cirurgia, é indicado que a paciente faça fisioterapia antes e após o procedimento para melhorar a condição da musculatura para a cirurgia e, após, trabalhar o fortalecimento da região.

 

Conheça nosso serviço de Fisioterapia de Assoalho Pélvico com Sandra Macena de Lima Galhardo que é Fisioterapeuta Pélvica (CREFITO-3/153422-F) e acompanha as mulheres e gestantes na Clínica Iluminar.

 

Leia também: 5 dicas para exercitar seu assoalho pélvico