Sentir perda de urina ao tossir, espirrar ou mesmo ao praticar atividade física é muito mais comum do que se imagina. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, o problema atinge cerca de 10 milhões de brasileiros de todas as idades, sendo duas vezes mais comum em mulheres.

Dois cenários agravam a situação: o primeiro é a vergonha, já que a maior parte das pessoas omite que sofre perda de urina – ainda que em pequena quantidade; O segundo é a falta de informação: muitas mulheres nunca sequer ouviram falar de Assoalho pélvico e, por isso, desconhecem a importância de fortalecer esses músculos.

Mas o que é, afinal, o Assoalho Pélvico?

O Assoalho Pélvico é um conjunto de pequenos músculos situados na região da pelve, mais precisamente limitado entre o púbis (região anterior) e o sacro (região posterior também conhecida como períneo). Ou seja, ao contrário do que muita gente pensa, o períneo não é somente aquela região entre a vagina e o ânus, mas toda essa musculatura que forma o “chão” da pelve.

Assim como todos os músculos do nosso corpo têm que ser exercitados para se manterem ativos, o Assoalho também precisa de treino: se temos, por exemplo, uma lesão ou uma tensão em um músculo do braço, certamente estaremos limitados a executar tarefas com a mesma eficiência.

O mesmo ocorre com o assoalho: se não estiverem saudáveis, os músculos não exercerão de forma eficiente suas funções de sustentar nossos órgãos pélvicos (útero, bexiga, parte do intestino), suas funções de esfíncter – o fechamento dos orifícios (uretra, ânus, vagina) e sua resposta sexual.

O mau funcionamento desses músculos pode levar a queixas mais comuns como Incontinência Urinária, prolapso (descida) dos órgãos pélvicos, dor na relação e até mesmo comprometimento na vida sexual.

 

Cuidados na Gestação

É comum gestantes relatarem perda de urina ao espirrar, tossir ou em algum momento em que riram muito. É comum, mas não é normal. Episódios como esses são um sinal de alerta já que a musculatura deveria estar apta a suportar esse aumento da pressão intra-abdominal, mesmo na gestação.

Contar com um fisioterapeuta na gestação para avaliar os músculos, realizar um trabalho preventivo e preparar a gestante para o parto é essencial, independente da via  em que o parto acontecerá (normal ou cesárea).  Isso porque a gestação por si só já representa um fator de risco para esses músculos devido ao ganho de peso que ocorre nesse período,  gerando sobrecarga no Assoalho Pélvico.

Mulheres que já apresentam um Assoalho fraco antes mesmo de engravidar têm mais chance de apresentar queixas durante a gestação. Por isso a avaliação é tão importante: ela ajuda a identificar, tratar ou prevenir futuras alterações.

 

Como é feita a consulta?

A avaliação é feita na região íntima, sendo necessário tocar os músculos internamente de forma manual ou fazendo uso de aparelhos tecnológicos de biofeedback – que atuam com parâmetros pré-estabelecidos. Com o toque, seja ele manual ou com o apoio dos aparelhos, é possível verificar se os músculos estão fracos, tensos, se apresentam pontos dolorosos, se há presença de cicatrizes e qual a consciência que a paciente tem dessa região, ou seja, se consegue fazer a contração e o relaxamento de forma tranquila. Após a avaliação, reunidos os achados clínicos com as queixas relatadas pela paciente, é traçado o tratamento mais adequado.

Essa análise inicial é de extrema importância para a assertividade do tratamento, por isso não é recomendado determinar exercícios sem saber como os músculos estão respondendo aos estímulos dados: não faz sentido pedir à paciente que faça em casa 3 séries com 10 contrações e relaxamento dos músculos sem saber sequer se ela tem a conscientização e se consegue realizar o movimento. Exercícios realizados de forma incorreta, vale lembrar, ao invés de ajudar, podem acarretar uma piora dos sintomas.

 

5 dicas para cuidar bem do seu Assoalho Pélvico

  1. Evite segurar o xixi e só ir ao banheiro quando não aguenta mais.
  2. Posicione-se no vaso sanitário de forma correta: sentada com os músculos relaxados, o tronco mais na vertical para fazer o xixi e mais inclinado para a frente com os pés mais elevado e apoiados em um banquinho, para facilitar a saída das fezes.
  3. Regule os horário de ida ao banheiro e, caso sofra constipação (problema bastante comum nas mulheres) dê uma maior atenção à sua alimentação e aumente a ingestão de líquidos. Caso sinta necessidade, uma nutricionista pode ajudar a identificar fatores alimentares que estejam prejudicando o funcionamento adequado do seu intestino.
  4. Nunca permaneça sentada no vaso sanitário além do tempo necessário. Hábitos como ficar distraída no celular, dificultam a circulação sanguínea na região e dilatam as veias, podendo causar hemorróidas e tensão nessa musculatura.
  5. Se pratica atividade física, especialmente as de alto impacto, é necessário preparar os músculos para que eles não sejam prejudicados pela sobrecarga. A dica vale para todas as mulheres, independente da idade.
  6. Procure um fisioterapeuta especializado e faça uma avaliação do seu assoalho pélvico: não espere ter sintomas para procurar ajuda. Ele vai te ensinar a reconhecer esses músculos e trabalhar preventivamente. Lembre-se: cuidar do Assoalho Pélvico é ganhar qualidade de vida!

 

Sandra Macena de Lima Galhardo é Fisioterapeuta Pélvica (CREFITO-3/153422-F) e acompanha as mulheres e gestantes na Clínica Iluminar.