Os bebês têm necessidade de sucção, eles precisam disso! Alguns sugam desde a barriga, para outros a necessidade se inicia no nascimento e vai até aproximadamente 2 anos, juntamente com a fase oral da criança.

Quando o bebê nasce, a boca é o primeiro instrumento de conexão e comunicação com o mundo, por isso o bebê chora (sua única forma de se comunicar) e suga! É através dos lábios, da língua e da cavidade oral como um todo, que ele passa a conhecer as texturas macias e duras, as sensações, o frio, o calor e o prazer. Sim, é extremamente prazeroso para o bebê sugar o seio, por isso eles ficam tão relaxados e entregues ao se conectar ao seio materno.

Tanto a sucção nutritiva (em que o bebê está mamando) quanto a sucção não nutritiva (em que o bebê está se reconfortando e suprindo outras necessidades) são importantes para estimular uma boa produção de leite, não podemos esquecer disso!

Aqui desejo fazer um esclarecimento sobre o termo “chupetar o seio”. Sabemos que ao nascer, o bebê deve ir o quanto antes ao seio materno, pois necessita de contato pele a pele, já que precisa sugar para se alimentar e também para se sentir seguro e amado além do correto desenvolvimento orofacial e cognitivo. Sedo assim, fisiologicamente, é a chupeta que vem substituir o seio e não o contrário.

Muito além de nutrição, hidratação e toda a importância do leite materno como alimento exclusivo, o seio vai fornecer essas experiências sensoriais, aprimorando o desenvolvimento cognitivo, emocional, desenvolvendo e amadurecendo as estruturas orais e faciais (músculos, ossos…), a maturidade do sistema nervoso, o desenvolvimento e o controle de funções respiratórias, da própria sucção e o ciclo: sugar, engolir e respirar, desenvolvimento da mastigação, da fala e dos dentes.

Somente a sucção no seio materno proporciona o exercício natural do qual o bebê precisa para o correto desenvolvimento oral e facial e suas funções. Sem contar o fato de que o aleitamento promove maior contato com a mãe, fortalecendo o vínculo, proporcionando maior sensação de acolhimento, de ser amado, tornando a criança mais segura e autoconfiante.

O papel da chupeta

Essa grande necessidade de sucção do bebê exige muito da mãe, em uma fase de grande fragilidade materna, que é o puerpério. O bebê necessita estar no colo, no seio, quer sugar mesmo quando não deseja mamar, chora e só se acalma no seio materno. Por outro lado, o cansaço, a privação de sono, a fragilidade emocional, o pouco apoio e a falta de informação de qualidade, fazem com que muitas famílias ofereçam a chupeta para que o bebê encontre outra forma de se acalmar.

A maior parte dos bebês recusa a chupeta no início, mas diante da insistência dos pais acaba aceitando como forma de satisfazer sua necessidade de sucção. A questão é que desse hábito podem surgir outros problemas como a confusão de bicos, baixo ganho de peso, desmame precoce e posteriormente problemas no desenvolvimento orofacial e emocional.

A confusão de bicos acontece porque a forma de sugar o seio é completamente diferente de sugar a chupeta (posição dos lábios, da língua e outros músculos da boca e da face). O que pode levar a dificuldades para pega, para sugar e extrair o leite do seio, desaprendendo a mamar e assim, em alguns casos, de uma hora pra outra, o bebê passa a rejeitar o seio, levando ao desmame precoce.

 

Alguns alertas e sinais de confusão de bicos:

– O bebê mudou a pega ou jeito de mamar;

– Passou a sugar cada vez menos o seio;

– O bebê não está aceitando facilmente sugar o seio;

– Fica agitado demais no peito;

– Só aceita o seio dormindo;

– Solta muitas vezes o seio durante a mamada;

– O bebê rejeita o seio.

Ao notar algum desses sinais, procure ajuda profissional de uma Pediatra que apoie a amamentação ou de uma Consultora em Aleitamento Materno. Em muitos casos é possível reverter o quadro.

 

Erika Perroni é Consultora em Aleitamento Materno, Doula, Instrutora de Shantala e de Yoga.