O termo “parto humanizado” apesar de bastante discutido nos últimos anos, ainda gera muitas dúvidas. Recebemos com frequência algumas mensagens aqui na Clínica Iluminar perguntando se acompanhamos parto normal ou apenas humanizado. O termo confunde mesmo e não vemos problema algum em esclarecer, afinal, apenas com informação conseguiremos mudar o cenário obstétrico do nosso País, não é mesmo?

A primeira questão que acredito que merece ser esclarecida é que parto humanizado não é um tipo de parto, um modelo pronto ou um pacote que contêm luz baixa, banheira e silêncio. A humanização do parto é um processo e não um produto.

Quando falamos em humanizar o parto e o nascimento, estamos defendendo que as mulheres e a famílias sejam respeitadas em suas escolhas e, para que elas possam tomar suas decisões livremente, é muito importante que durante o pré-natal sejam fornecidas informações baseadas em evidências científicas. Ué, mas todas as informações que os médicos passam aos pacientes não são baseadas em estudos recentes? Infelizmente não são.

Muitos colegas de profissão não explicam nem tão pouco discutem riscos com seus pacientes por entenderem que são os detentores do saber e que as decisões cabem única e exclusivamente à eles. Eu respeito essa forma de trabalho, mas não compartilho dela, aliás, nem eu nem nenhum profissional que atue com assistência humanizada de fato, seja em qual fase da vida essa assistência ocorra – como no lindo trabalho oferecido por profissionais que atuam com cuidados paliativos junto a pacientes que sofrem de doenças que ameaçam a vida, por exemplo. Quando atuamos com escolha informada, estamos dizendo que a família é parte do processo, juntamente com a equipe.

A humanização da assistência começa então, lá na primeira consulta com a sua Obstetra e se estende para a vida. Outro ponto fundamental na humanização do nascimento é devolver o protagonismo do parto à mulher, permitindo que ela decida o tipo de parto, o local e o que deseja, ou não, que ocorra, tendo como base para suas escolhas todas as informações que recebeu durante o pré-natal.

Cada mulher que chega no meu consultório traz sua história, tem seu organismo, sua fisiologia, seus medos, então é fundamental olhar cada uma de forma individualizada, respeitando cada pessoa, cada processo, cada evolução, bem como entender e respeitar o sistema daquela família.

Camila Escudeiro é Médica Obstetra e descobriu na assistência ao parto uma maneira acolhedora e uma forma saudável de nascer.

 

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