Confesso que nunca fiquei tão feliz em ver um pouco de sangue saindo de mim como naquela manhã (bem mais que depois dos atrasos menstruais), pois eu sabia que era o dia da minha princesa! Lá pelas 16h tive minha primeira contração e apesar da dor, sorri. A noite chegou e já me preparava para a longa madrugada que estava por vir. Preparei tudo, roupa para o meu filho, conferi as bolsas e documentos, separei o porta maternidade que fiz com tanto amor para a minha bonequinha e fui me deitar. Dormir era um sonho, ansiedade me consumindo.

As contrações começavam a vir com mais frequência e, quando eu decidi dormir, me dei conta que já estavam vindo a cada 15 minutos. Já era tarde, ela estava chegando. Quando a dor começou a incomodar eu chamei minha Doula Thais Escudeiro. Tomei remédio pra aliviar, um banho demorado, rezei, chorei, cantei pra minha barriga e me despedi dela (e como eu adorava aquela barriga…era a casinha da minha bonequinha, era linda e me fazia linda).

As dores aumentaram, assim como o amor que exalava do meu corpo. Sim, eu sentia dor-e não era pouca, mas minha filha estava chegando. Entre tantos dissabores que passamos ao longo da vida, essa dor era o menor deles: era a dor do amor, da felicidade, era meu corpo conectado a tudo que tem de maravilhoso no universo, tudo trabalhando para um único propósito: unir dois corpos que estavam ligados pelo coração. Era minha filha chegando!

Já passava das 4h e minha Doula estava ao meu lado me dando todo o suporte que é necessário para esse momento, não só a mim, mas também ao Rapha, meu companheiro, que não me deixou sozinha nenhum minuto. Thaís linda, me fez carinho, massagem, me lembrou de coisas que o meu consciente havia esquecido: de que eu era capaz de passar por aquilo, que eu era forte e que tudo daria certo. Contrações a cada 3 minutos: havia chegado a hora de ir para o hospital.

Era 5h4min, Obstetra, Enfermeira, Pediatra… todas avisadas de que a Antonieta estava chegando e que nós estávamos a caminho do hospital. Na minha internação marcava 05h17 e eu estava sendo examinada no consultório: 6 cm de dilatação e nada da bolsa romper. Hora de escutar o coraçãozinho da minha bonequinha e as contrações, bem, as contrações já estavam me matando. Começou a me bater um desespero, medo de um trabalho de parto de 12, 15 horas… até que algo “explodiu” dentro de mim: a bolsa havia rompido entre uma contração e outra.

Mesmo com dor, novamente sorri. Contei animada ao papai do ano que dali em diante teríamos entre nós a nossa pequena, um curto espaço de tempo. 6h e estávamos a caminho do quartinho lindo e acolhedor que teríamos nossa filha. Passei pela minha mãe e minhas irmãs, pedi pra rezarem por mim, para que fosse rápido e que a Antonieta viesse ao mundo linda, perfeita e cheia de saúde.

No momento da construção do plano de parto eu avisei minha Doula que eu pediria para parar, para me dar anestesia, remédio, ou qualquer outra coisa que aliviasse a minha dor quando ela já estivesse no seu auge, porém, eu não deveria ser escutada, não era o que eu queria pra mim e pra ela. Assim eu fiz, pedi pra parar, chorando eu disse olhando no fundo dos olhos do Rapha e da Thaís: – “Por favor, eu não quero mais!”.

Engraçado que, minutos antes, quando a contração passava, eu pedia “Rapha, não me deixa desistir, por favor, não me deixa fraquejar!” E pedia a Thaís também. Ainda bem que eles me ouviram. Meu corpo cansado, o sono batendo, contração com intervalos de 1 minuto (eu acho né, não estava raciocinando direito) e meu corpo pedindo, trabalhando praticamente sozinho para o nascimento da Antonieta.

Sem querer eu fazia força e gritava, não de dor, não de medo, mas pra buscar força, força de dentro de mim, força vindo da terra, da vida, do ar. Quando entendi que ela estava muito perto, fomos para a banheira – tentei pelo menos. Num trajeto de 5 passos fui interrompida por contrações fortes que me levaram ao chão: me abaixei instintivamente. Foi quando a enfermeira chegou, olhou dentro dos meus olhos e disse: – “Você está indo muito bem, Cintia, vai conseguir!”.

Cheguei à banheira e senti um ligeiro alívio. Então mais contrações avassaladoras vieram, e mais uma, então escutei: – “ela está nascendo”!. Que emoção! O Rapha via nossa filha chegando: ela estava lá, coroando, majestosa. Outra contração e senti sua cabeça e seus cabelos. Respirei fundo e, na esperança de conseguir dar à luz lindamente, veio outra contração e lá estava ela, nascendo. Força, outra contração e ela nasceu, na água, aos olhos de seus pais, as 6h25! Veio direto para os meus braços! Deus, como é linda, perfeita, pensei. Com lágrimas nos olhos eu me recordo daquele corpinho no meu peito, daquele choro, daquele sentimento lindo. Eu consegui! Dei a vida e a trouxe ao mundo, do jeito que tinha que ser! Antonieta, a doce espera acabou, você chegou!

Cintia Rodrigues

Chegada da Antonieta