Minha pequena Rafaela, nasceu dia 05/02/18, as 5h09, num maravilhoso VBAC (parto vaginal após cesárea).

Sobre a cesárea prévia há 3 anos e 7 meses: gestação tranquila sem intercorrências que se prolongou além de 42 semanas. Decidimos pelo protocolo de indução pelas dificuldades com o monitoramento. Indução ok, com contrações extremamente doloridas desde o início, sem intervalos, e indicação real de cesárea, após 3h de dilatação total sem progressão, por desproporção cefalo pélvica relativa – assinclitismo (encaixe errado da cabeça na pelve, impossibilitando a descida do bebê). Thiago (meu primeiro filho) teve um nascimento respeitoso com equipe humanizada, nasceu ótimo, mas meu pós operatório foi beeeem difícil.

Dessa vez não tive uma gestação tranquila, mas me preparei muito emocionalmente para o nascimento. Tive diagnóstico de Diabetes Gestacional com 28 semanas, o qual exigiu uma mudança drástica de hábitos alimentares, mas consegui controlar com dieta e homeopatia. Com 32 semanas, bebê com restrição de crescimento (RCIU), percentil baixando, revemos a dieta: incluímos suplementação de proteína e ela foi se mantendo. Seguimos com acompanhamentos de Doppler quinzenais, depois semanais e com 37 semanas um baque: alteração na artéria umbilical: ela estava centralizando (quando o bebê começa a usar as reservas de nutrientes nos órgãos vitais em detrimento ao restante do corpo).

 

Tive um pré natal com uma equipe tão maravilhosa, que me deu todo suporte cientifico e emocional do que estava acontecendo (praticamente a mesma equipe do primeiro parto, mas o pré natal eu fiz pelo convênio da primeira vez). No dia seguinte ao diagnóstico me ofereceram uma sessão de estímulos naturais e relaxamento. Nesse dia pude me conectar tanto com a minha filha!! Dizer pra ela o quanto eu a queria, o quanto eu queria que nosso encontro fosse tranquilo, o quanto eu a queria crescendo em meu seio (…). Visualizar tudo isso foi uma experiência transcendental.

 

A conduta era repetir o Doppler em dois dias e, se não melhorasse, internaríamos para indução. Fiquei livre de todos os medos e aceitei o que tivesse que ser. Fomos ao OS: exame de cardiotoco Dtimo e doppler normal (sem alteração na artéria umbilical)!!! Bora esperar mais, mas com monitoramento a cada três dias e assim conseguimos chegar até as 39 semanas, afastando o risco de prematuridade e chegando mais perto do tempo dela.

 

No último Doppler, o percentil que estava se mantendo em 5 caiu para 3: ela já não estava mais ganhando nada de peso. Então, decidimos tentar todas as estimulações naturais e se não entrasse em trabalho de parto, iríamos fazer a indução no domingo pela manhã (39+6 semanas de gestação). Coloquei a sonda Foley, fizemos descolamento de membranas, Acupuntura, Homeopatia, sexo, dancei, rebolei… terminamos no óleo de Ricino.

 

Sábado à noite marido levou o filho mais velho para a avó, para que ficássemos focados nos próximos acontecimentos. Tomamos uma taça de vinho. Tudo foi trabalhando meu colo, já que com a cesárea prévia não poderia usar o Misoprostol (comprimido que trabalha o colo uterino para indução). Internei domingo de manhã feliz da vida e confiante que tudo daria certo. Meio dia, começou a Ocitocina na dosagem mais baixa – aquele frio na espinha de reviver o parto anterior, mas logo passou.

 

Foram aumentando a dosagem e Ocitocina ao longo do dia, contrações ritmadas, sem dor e que duravam no máximo 40 segundos. Passamos o dia assim: rebolando, fazendo exercícios. Me reconectei com meu marido – já que ao longo dos últimos dias estávamos nos afastando: o seu toque e abraços foram fundamentais para tornar esse dia perfeito e eu só conseguia curtir o momento e agradecer por tudo que estava vivendo.

 

A minha Doula sempre propondo exercícios para facilitar o encaixe perfeito. A parteira me estimulando às respirações profundas e dizendo o quanto elas eram importantes pra minha filha. Monitoramento constante dos batimentos dela e sempre tudo ótimo. A dra Camila (minha Obstetra) veio ao longo da tarde, participar rapidamente da festa, regada a Natiruts, açaí, coco, castanhas e chocolate Lindt. Me viu e disse até breve. Tudo corria muito bem. Lá pelas 22h todos estavam cansados, menos eu. Minha parteira (mais que querida) propôs, que relaxássemos um pouco na banheira, descansássemos, eu e marido, que em breve entraríamos na fase de transição e precisaríamos de energia. Bom, ficamos sozinhos e ele me levou ao céu com suas carícias. Foi perfeito. Depois fui para a cama e e minha Doula fez massagens.

 

Não sei muito bem os horários e a cronologia dos fatos, mas meia noite minha Obstetra chegou, me examinou e disse que meu colo estava com 7cm e super fino, que daríamos um gás na Ocitocina, para que as contrações fossem mais eficientes, para então, dilatar o resto e nascer. E assim foi… deitei pra descansar, cochilei e, acordei, agora sim, com contrações fortes e com muito frio: eu tremia toda. A Obstetra me ofereceu cobertores, me cobriu e eu quis sentar na bola: rebolava nos intervalos e já começava a vocalizar, eu acho. Isso era por volta das 2h da manhã. Em pouco tempo estavam todos na sala me apoiando. A Mari (Doula) propôs fazer um exercício de Spinnig Babies que eu achei que não fosse suportar, mas fiz 3x de cada lado durante as contrações. Depois levantei e quis ficar em pé debruçada na cama e foi assim até parir. A vocalização cada vez mais forte.

 

A Camila fez o toque e: “corre chamar a Nicole (Pediatra), que tem bebê chegandoooo”. Dali pra frente eu senti todo o expulsivo (justo ele que eu tanto temia). Chegou a hora de me apropriar de toda minha potência física e mental para trazer minha filha ao mundo. Em algum momento a bolsa rompeu e, então, eu senti cada descida dela na minha pelve, a cada contração. Visualizei aquele slide (do Curso de Ppreparação para o Parto) com a imagem da pelve e suas escalas e fui sentindo a bebê descer em cada uma delas. E fui chamando por ela, “vem Rafaela” e olhava pra Mari e aquele olhar me dava força de que tudo estava dando certo. Peter me dava água de coco em cada intervalo e me dava a mão em cada contração e eu segurava e apertava forte e sentia minha pelve abrir milimetricamente.

 

Eu me sentia bicho, mas com total consciência e controle. E senti vontade de tocar pra ver onde ela estava, então toquei e senti sua cabeça e cabelinhos: nesse momento tive a certeza que ela estava perto e que estava dando tudo certo. Os intervalos entre as contrações estavam tão bem delimitados que eu conseguia respirar fundo e tomar fôlego para a próxima etapa. E enfim senti ela na minha vagina, aquela sensação de que meu corpo é forte!!. Na próxima contração senti sair a cabeça, na outra, o corpo, e em segundos eu estava com ela nos braços: toda pequenina e sujinha de sangue. Todos dizendo que ela estava ótima. Nós duas estavámos e assim curtimos aquele momento juntas! ❤ Apgar 10/10. Períneo integro, sem corte, sem laceração, sem pós operatório! Foram 17 maravilhosas horas em trabalho de parto, com todo apoio e segurança da minha equipe.

 

Começaram a avisar as outras parteiras da equipe, as minhas amigas (e boa parte delas estavam conectadas as 5h30 da manhã de uma segunda-feira, esperando notícias nossas, numa rede de mulheres que até arrepia de pensar!!!) GRATIDÃO por tudo. Foi o encontro perfeito!!. Com 40 semanas a Rafa nasceu, pequenina, com 2590kg, 45,5cm, mas forte, para vivermos essa linda experiência juntas. Mama, em aleitamento materno exclusivo, está super bem e já a vejo crescida, hoje, quando escrevo esse relato, com 15 dias e vida dela.

 

Equipe de Parto e Pré-natal:
Obstetra: Camila Escudeiro (Clínica Iluminar e Commadre)
Parteira: Luciane Amorim (Commadre)
Doula: Mariana Amoroso
Pediatra: Nicole Martin (Clínica Iluminar e Commadre)
Fotógrafa: Bia Takata
Nutricionista: Karine Durães (Clínica Iluminar)
Psicoterapeuta: Claudia Bomfim
Parteiras: Commadre

 

 

 

Chegada da Rafa