Algum tempo atrás…

A escolha do Parto

Nunca quis uma cesária agendada, mas também não sonhava com um parto humanizado, queria simplesmente um parto normal, mas percebi que o parto era muito mais do que isso: queríamos ser protagonistas do momento mais lindo de nossas vidas. Nossa querida amiga Diana já havia nos falado muito sobre o tal parto humanizado, mais acredite: só vamos pensar nas coisas quando está realmente acontecendo com a gente.

Fiquei um pouco desesperada: não queria uma Cesária agendada sem motivo, mas também não queria aquele parto normal cheio de intervenções. Queria que meu filho viesse ao mundo no momento dele, queria poder escolher a melhor posição para parir, queria meu marido ao meu lado, sem cortes ou anestesias desnecessárias, então o que fazer?

Resolvi mudar de Obstetra nos 48 minutos do segundo tempo. Percebi junto de meu marido que queríamos um parto humanizado, porém só percebemos isso nas minhas 36 semanas, após um curso preparatório na maternidade São Luiz e após assistir ao Renascimento do Parto, filme que mudou nossa cabeça e nosso jeito de pensar e sonhar com o parto.

Já estava com quase 37 semanas quando conversei com minha amiga Renata cujas cunhadas eram donas da Clínica Iluminar.  Contei que estava buscando por um parto normal, sem intervenções desnecessárias e achava que agora só uma equipe humanizada me ajudaria. Ela então sempre amável e prestativa me passou o contato da Doula Thais Escudeiro. Fomos até a clinica, conversamos bastante, ela conversou com a Camila, a Obstetra, e concordaram em nos ajudar.

Pronto! Com 37 semanas estava com uma equipe humanizada, me preparando e conhecendo tudo sobre o tal parto humanizado. Daí em diante foi tudo muito rápido, consulta com a Camila, acupuntura com a Thais e estávamos cada minuto mais perto do Davi chegar!

08-03-2017 (Dia da Mulher e dia em que comecei a perceber a força e o poder de ser MULHER!) 🌷🌸

O Parto:

No dia 08 de março completei 38 semanas de uma gestação calma e saudável. Exatamente as 3 horas da madrugada senti um líquido estranho sair de dentro de mim, como se fizesse xixi, porém estava sonolenta e voltei a dormir. Acordei em torno de 08h30 da manhã e percebi que o líquido continuava a sair. Comentei com meu marido e minha mãe e desconfiamos da bolsa.

Às 14 horas estava na ComMadre, fui conhecer a querida Luciane, Enfermeira Obstétrica que me acompanharia no parto. SIM! Fui conhecer a querida Lu já com a bolsa parcialmente rompida, rs. Chegando na ComMadre conversamos bastante e ela foi me examinar.

Constatado! Bolsa Rota, que nada mais é que o rompimento parcial da bolsa. 😳
Meu Deus! O que fazer agora? Nas novelas estourou a bolsa e pronto: vamos correr pro hospital senão o bebê nasce no caminho (hahaha). Bom, sinto em dizer, as coisas não são bem assim! N Fiquei chocada quando a Lu mandou eu e meu marido irmos para casa, vida normal! Na minha cabeça só pensava: “como vida normal, gente? Minha bolsa está rompida! Vamos pro hospital pelo amor de Deus! Hahaha”

Meu marido sempre calmo, sempre mais tranquilo que eu. Estava certo do que estava fazendo, estava feliz que iria agora poder participar do parto do filho dele e não só assistir como a maioria dos pais. Ele iria pegar o filho quando saísse de dentro de mim, ele me apoiaria o tempo todo, me dando força e cortaria o cordão umbilical. O André estava muito mais focado no parto humanizado do que eu. Mas não me culpem: o medo da hora de parir era só meu. A responsabilidade por conseguir era só minha. Eu não fui preparada para o parto normal os nove meses de gestação como a maioria que é acompanhada por uma equipe humanizada desde o início! Não, comigo foi diferente! Eu sabia só o que eu e o André andávamos pesquisando no youtube, filmes… mas não tive aquele preparo, eu não sabia direito o que estava fazendo… essa é a verdade!

Fomos pra casa! O André sempre calmo querendo ver o jogo do Paris Saint-Germain x Barcelona: 6 x 1 pro Barcelona! Jogaço!!!, ele dizia. “Minha nossa era pra eu estar no hospital!! Minha bolsa está rompida gente!“ , eu pensava. Pedimos pizza, comemos, conversamos e eu fingindo que estava tudo normal! Hahaha.  Meu marido fez até uma venda no Mercado livre! (Como pode??).

À noite, em torno das 21h minha Doula chegou em casa. Batemos papo, fizemos Acupuntura para ver se então entrava em trabalho de parto. Mas nada mudava, só tinha perda de líquido, contrações nada ritmadas, sem dor… apenas um endurecimento da barriga.
Thaís foi pra casa. Isso já era quase meia noite, eu e o Deh fomos dormir – ou tentar, no meu caso hahaha.

Dia 09-03-2017 (e a partir daí o dia mais feliz de nossas vidas!)

Acordei duas da manhã! Pronto, ali se iniciou meu trabalho de parto ativo. Marcamos as contrações e já estavam ritmadas, mas pouco dolorosas. Então a Thais, minha Doula, voltou e logo chegou também a Luciane. 5 cm de dilatação e o que mais queria ouvir: “vamos para o hospital!” Hahaha.

Chegamos na maternidade Santa Joana em torno das três da manhã, e após todas aquelas perguntas das enfermeiras do hospital, fomos para a sala de parto normal. O André foi fazer minha internação, demorou demais e as enfermeiras pouco preparadas –  não acostumadas com mulheres em trabalho de parto – quase não deixaram o André subir para acompanhar o parto! Ele insistiu, disse que estava com a equipe humanizada e aí sim deixaram.

Ainda estava calma, as dores vinham e iam de uma maneira tranquila, não era tão ruim assim, pensava eu (hahahaa). – É só isso a dor do parto? Ah, beleza!! Dá pra aguentar”.  E eu até aguentei bem: 8 cm de dilatação e nada de gritaria ou agonias, ainda falava e brincava.
A equipe ria junto com a gente: “você faz canal sem anestesia, já teve milhões de pedras no rim, você aguenta!” hahaha.

Na sala tive o apoio do meu marido André e de uma equipe maravilhosa: Thais, Camila, Luciane e a Pediatra Marcia. Todos me dando apoio, força, fazendo massagem (…). Ali percebi a importância do parto humanizado: eu escolhia as minhas posições, eu ficava aonde e como me sentia mais confortável e tudo isso cercada de toda segurança para mim e meu bebê! Cardiotoco funcionando, Camila ouvindo a todo tempo o coração do meu bebê, checando a minha pressão… mas sem deixar eu perder minha autonomia, afinal, o parto era meu!

Não precisei ficar na posição ginecológica, não sofri episiotomia, não pedi analgesia! Fui pro banquinho, fui pra banheira, fui pra bola de Pilates e tudo isso acompanhado de massagens feita pela minha doula Thais, pela Lu e pelo meu marido, que me dava abraços carinhosos e me molhava na banheira quando vinha a contração – que já era muito, muito mais forte agora. Tudo isso regado de palavras de incentivo da equipe: “Você vai conseguir. Está evoluindo tudo muito bem. Você é forte. Os batimentos do Davi estão excelentes”. Toda mulher deveria poder viver isso! Ser a protagonista do seu Parto. Receber massagem e palavras de apoio de quem te ama! Isso deveria ser lei!!

8 horas da manhã eu cheguei aos 10 cm. Dilatação total e aí o bicho pegou!! hahaha.. Nenhuma posição melhorava aquelas dores, era insuportavelmente forte, praticamente constante, e eu estava cansada, não tinha mais as tréguas entre uma contração e outra. Pensei em desistir, não vou dizer que não. Tentei falar só com meu marido, apelei para ele, disse que não aguentava mais, que pra mim já tinha dado tanta dor… ele não fez nada hahaha. Só palavras de apoio: dizia que eu era capaz, que já dava pra ver o cabelinho do nosso filho:
começou meu expulsivo! Sentia vontade de empurrar, mas nada acontecia! Meu Deus! Pedi cesária. Falei para a equipe toda que já tinha dado pra mim: já tinha tentado, mas agora queria, exigia a cesária hahaha! Não queria analgesia, sabia que aquilo desaceleraria meu trabalho de parto. Muito paciente e com a certeza que estava tudo bem a Camila pedia só um pouco de paciência (…). Pedia pra eu tentar só mais um pouquinho: “Mais 3 vezes Jaque:  só mais três contrações”, ela pediu.

Não sei quantas foram, só sei que uma sensação inexplicável tomou conta de mim. Eu ouvia a voz do meu marido falando que eu ia conseguir., que já dava pra ver a cabecinha do nosso filho!! Palavras que nunca vão sair da minha cabeça! Ouvia toda a equipe falando que estava quase lá, para eu não desistir. E agora entre muita gritaria e uma força inexplicável – força essa que o André disse que não sabia da onde eu estava tirando (nem eu sabia). Força essa que as 08h28min do dia 09 de março, após meia hora de expulsivo, eu trouxe nosso filho ao mundo… de maneira linda, com respeito, com todo amor, do jeito que ele escolheu.

A dor passou… e vi aquele bebê em cima de mim, lindo, perfeito e foi direto pro peito mamar! Não conseguia acreditar! Eu consegui parir!! Eu não chorava. Eu simplesmente não acreditava! Olhei os olhos do André debulhado em lágrimas… olhei toda a equipe e vi lágrimas nos olhos de todos: isso que é amor pelo que faz! O papai cortou o cordão e pegou seu filhotinho, ficamos olhando para ele, nosso filho, fruto do nosso amor, ali, saudável… feliz!

Não vou mentir foi a maior dor que senti, mas não importa! Essa dor trouxe para minha vida a melhor parte de mim, do jeito que eu escolhi: com respeito e com amor, o Davi chegou! E melhor: eu estava ótima e inteira para cuidar e me dedicar ao meu filhote! No dia seguinte ao parto me sentia ótima, forte, sem tontura, sem dores, apenas cansada de tanta força que fiz, rs. Mas me movimentava normalmente… amamentava meu filho!

De repente entra uma enfermeira no quarto e diz que naquele dia em meio a tantas cesárias agendadas eu tinha sido a única mulher a ter parto normal. Elas se chocavam quando dizia que nem anestesia tomei. Mas o mais recompensador foi ouvir de uma delas: – “No berçário todos comentaram que seu bebê é o mais espertinho da maternidade… isso é pelo parto normal”. Ali mais uma vez tive certeza: fiz a escolha certa!  O Davi não saiu um segundo do nosso lado… até o banho foi dado no quarto junto a Dra Marcia em um delicioso ofurô.

Vejo o olhar de medo quando falo para as mulheres que tive um parto humanizado. As pessoas ficam assustadas e acham que é um parto doloroso. Mas o parto humanizado nada mais é que um parto respeitoso, sem intervenções desnecessárias, um parto em que a mulher é a protagonista, ela toma as decisões – claro que tudo isso regado dos cuidados de uma equipe preparada! A dor é muito menor quando você escolhe suas posições, seu jeito de parir, e a preocupação é muito menor quando seu filho fica o tempo todo junto de você!. Me vejo hoje uma mulher emponderada, guerreira, mãe, filha, esposa: sou muito mais forte hoje!

Jaque Martins

Chegada do Davi