Dia 24/03/2018, às 20h41, nasceu nosso mais novo herdeiro. Lucca chegou para completar nossa família e vivermos o que está escrito em Gênesis 1:28 “Crescei e multiplicai-vos”. Para a chegada dele, procuramos uma equipe humanizada, pois tivemos uma experiência de parto humanizado com o Daniel e queríamos muito repetí-la.

Chegamos na clínica Iluminar e na Commadre e ficamos apaixonados pela equipe, que nos cativou da mesma forma que o Pequeno Príncipe cativou aquela raposa e a exemplo deste grande personagem literário, se tornaram responsáveis por nós e pela chegada do nosso Lucca.

No dia 19 de março tivemos nosso primeiro susto: minha esposa teve contrações durante a noite toda e pela manhã avisamos a equipe. A Thais Escudeiro, nossa Doula, e a Thais Bernardo, nossa Enfermeira, chegaram cedo em casa para verificar se estávamos em trabalho de parto. Ficaram conosco, fizemos algumas exercícios e por fim verificamos que não iria engrenar. As duas foram umas fofas, extremamente gentis e prestativas, nos deixando muito confortáveis naquele momento.

No dia 20 de março o verdadeiro susto! Minha esposa começou a ter cólicas renais muito violentas, ela já teve antes então sabia o tipo de dor que sentia. A Thais Bernardo veio rapidamente para nossa casa para fazer uma avaliação prévia e constatou que não era trabalho de parto, realmente eram os rins.

Saímos às pressas para o hospital: minha esposa sentindo dores violentas, gritando e chorando (…). Eu chorava ao lado dela enquanto dirigia… fazendo minha oração silenciosa. Fomos muito bem atendidos no hospital: quando ela abriu a porta já havia uma cadeira de rodas esperando. Subimos no elevador com prioridade de emergência e fomos muito bem tratados. Infelizmente identificaram 5 pedras nos rins, duas do lado esquerdo e três do lado direito. Ela tomou Tramal e ficamos com uma receita para que tomasse em caso de dores. A orientação era tomar o remédio logo que iniciasse a dor e caso não parasse, correr para o hospital. Nesse ponto tenho que falar que minha empresa foi muito humana permitindo que eu trabalhasse de casa nesses dias para o caso de alguma emergência com minha esposa.

Passamos o restante da semana bem, mas na 5ª feira vieram novas dores no rim, que não passavam com a medicação. Entramos em contato com a Dr. Natália, nossa gentil Obstetra, e ela disse que poderíamos dobrar a dose e esperar. Caso não passasse, deveríamos ir ao hospital. Ufa! A dor passou! A dor física – mas nesse ponto a dor emocional que minha esposa estava vivendo já era muito forte.

Ela me chamou e falou que sabia que não estava bem emocionalmente e que tinha medo de na hora do parto não aguentar a dor. Ela sabia que o problema nos rins tinha acabado com as defesas dela e agora ela estava vulnerável. Ah… que momento complicado ouvir essas sinceras palavras da minha esposa e ter que tomar a melhor decisão. Eu disse que se ela não estava preparada para tomar decisões no momento do parto, devido a esse trauma recente, eu tomaria por ela. Pedi que confiasse em mim, pois eu iria avaliar no momento do parto que decisão deveríamos tomar

Pois bem, no sábado ela acordou de madrugada com contrações espaçadas: não pegavam ritmo mas também não a deixavam dormir. Dores mais fortes desta vez. Saímos logo cedo para comprar pão, tomamos nosso café e saímos novamente para fazer feira. Ela queria andar pois sabemos que isso ajuda na evolução do trabalho de parto. Na hora do almoço voltamos à feira, ela queria comer pastel e, convenhamos, grávida pode escolher o que quer comer. Após o almoço as contrações começaram a ganhar ritmo, começamos a monitorar com um aplicativo próprio para isso. Decidimos avisar a equipe pela whattsap.

Em pouco tempo a Thais Escudeiro chegou e avaliou as contrações e chamou a outra Thais. Ficaram conosco até as 18h30. Quando a minha esposa já estava com uma boa dilatação a Thais Bernardo perguntou se a bolsa tinha estourado, pois estava sentindo cheiro de bolsa e disse que deveríamos ir. Minha esposa disse que não mas quando íamos descer as escadas eu pedi pra ela esperar a contração e nesse momento  veio bem forte!! Duas contrações seguidas e entãoo… SPLASHH!!… A bolsa estourou. Como estávamos prontos para sair, não perdemos tempo. Vale uma observação aqui: a Thais conhece mesmo desse negócio de parto, ela sentiu cheiro de bolsa estourada e logo em seguida ela estourou!! Uau!!.

Chegamos no hospital e novamente fomos muito bem atendidos, no corredor encontrei a Dra Natália que chegou junto conosco. A entrada foi rápida e não perdi tempo com a documentação, pude ir rapidamente para a sala e parto onde ela estava com toda a equipe. Minha esposa já entrou no hospital pedindo por analgesia. Tivemos essa experiência no parto anterior e graças a Deus deu certo, mas a verdade é que agora era outro parto, mas ela estava com dor há muito tempo e não aguentava mais.

Chamava cada uma das pessoas na sala e pedia analgesia. Me chamou, chamou a Thais, a Natália e outra Thais…. todos nós tentamos convencê-la a desistir desta ideia. A dra Natalia em especial, explicou de uma forma lúdica e tão carinhosa que o Lucca já estava perto, ela foi tão empática, entendendo a dor da Jack  e mesmo assim demonstrando que deveríamos evitar analgesia, mas cada vez mais ela pedia por analgesia.

Eu estava atrás dela tentando fazer aquilo que aprendi no parto do Daniel. Dessa vez eu estava mais preparado mas o que eu tentava não estava funcionando. Foi quando a Thais (Doula) chamou a Jack e falou que já havíamos tentado muitas coisas, mas ainda faltava uma, e nesse ponto (que pra mim foi o ponto alto do parto) devo fazer uma pausa. A Thais nos conhecia, conhecia nossa história, não éramos apenas pacientes, éramos mais que isso.

Na Verdade, toda a equipe nos conhecia muito bem, afinal em um determinado momento a Thais (enfermeira) pediu que mudassem a música ambiente pois aquelas que estavam tocando não combinavam com a gente, ela sabia nosso gosto musical (gospel) e então mudaram a música para uma que tinha nossa cara.

Voltando ao ponto em que a Thais disse que faltava algo (por favor, lembrem que a Jack estava disposta a desistir por causa da dor), ela lembrou a minha esposa da minha história e de um momento de dor que tive muito intenso  muito mesmo) e que naquele momento eu tomei uma atitude. Ela disse que deveríamos fazer o mesmo. Ela me convidou a fazer uma oração.

Ahh que coisa maravilhosa ter uma equipe que sabia nossa história, uma equipe realmente humanizada! Aoração foi tão gostosa, pois lembramos que eu deveria ser estéril, lembramos que a gravidez do Lucca deveria ser anembrionária, por fim, lembramos que aquele momento era literalmente o milagre da vida. Então pedimos a Deus a simples presença dele naquela sala. Foi tão lindo ver que depois desse momento com Deus, a Jack se acalmou.

Aquele emocional quebrado havia sido restaurado: ela estava pronta para continuar! Todos nós estávamos! Então a Thais Bernardo sugeriu (novamente) que usássemos o Rebozo… e foi quando eu percebi que meu conhecimento para parto era nada: Não conhecia essa técnica. Bastaram 5 forças no Rebozo para o Lucca chegar!! E que chegada!!

No nascimento do Daniel fiz uma comparação para que os homens que me lessem entendessem a emoção de viver aquele momento. Falei que deveriam imaginar seu clube do coração jogando aquela final mais importante de todas – hoje imagino um mundial de clubes.

Vivenciar a chegada do bebê em uma sala ao lado de onde ele estava nascendo, seria como ouvir essa final pelo rádio… esperando, mas sem ver… torcendo, ansioso, até a hora de soltar aquele grito de felicidade!! Nas assistir ao parto na sala, seria como ter comprado os ingressos e assistir junto com a torcida, nas melhores cadeiras: o calor do momento, a adrenalina, a emoção de cantar o hino junto com a torcida e gritar a todo pulmão na hora certa… ahh!!

Mas a emoção na cabeça de um homem, comparado ao parto humanizado, seria mais do que estar na arquibancada… seria entrar em campo com seu time e em vários momentos tocarem a bola pra você e esperar sua ação, isso é a emoção de um parto humanizado em que eu participei do parto, eu não assisti AO parto eu assisti NO parto.!! Eu ajudei ficando com minha esposa, fazendo massagem, dando força para ela… mas dessa vez (…)

Ahhh dessa vez eu cobrei um pênalti e fiz um gol no momento que a Thais me chamou e passou a responsabilidade pra mim. E quer saber? No final de tudo, quando estava acabando, fomos para os pênaltis depois da prorrogação, e não pediram pra eu chutar, mas me colocaram no gol!! E na hora certa eu peguei – pode-se dizer que defendi: eu peguei meu filho antes que qualquer pessoa!! Eu fui a primeira pessoa a segurar ele no colo!! Essa emoção ainda não tinha vivido e me perdoem a limitação do vocabulário, mas é indescritível. Talvez na velhice eu tenha um vocabulário rico o bastante para descrever, mas hoje eu apenas digo que não consigo!!

Quero agradecer a todos da equipe – mesmo aqueles que não estavam lá no momento – e quero dizer que pra mim vocês não foram e jamais serão nossa EQUIPE DE PARTO. Vocês são nossa FAMÍLIA DE PARTO.

Relato de Parto escrito pelo Paulo Monteiro, Pai do Lucca

Chegada do Lucca