Tudo começou em julho de 2015 com o resultado positivo de que Luiza estava a caminho. Com 5 semanas e um sangramento leve, percebi que o médico com quem estava passando não era o melhor para mim. Resolvi voltar para a médica que fez o parto da minha primeira filha, Lara, que nasceu de cesárea eletiva com 38 semanas e 2 dias. Para mim, até aquele momento, só me interessava que Luiza nascesse na hora dela, não importando como, se via parto normal ou Cesárea.

Quando fui até a médica estava com 23 semanas e ela já começou a falar em cesárea com 38 semanas, ali me desesperei! Disse a ela que não tinha com quem deixar minha filha mais velha, pois a minha sogra só tiraria férias para cuidar dela quando eu estivesse com 40 semanas. Ela disse que não havia problema meu marido ir embora dormir com a Lara e eu ficar sozinha no hospital com a Luiza, afinal, eu não era mãe de primeira viagem mais. Mais uma vez percebi que estava com uma médica que não era a adequada para mim, afinal, além de ter dito isso, creio que ela não queria ser incomodada a qualquer dia e hora.

Com a minha insatisfação, acabei procurando outros médicos e foi no Geração Mãe, por indicação da Tâmara Tambellini, onde conheci a querida nutricionista Karine Durães, que trabalha junto com a minha sonhada médica Camila Escudeiro. Assim que conheci a Camila decidi: pronto, estava escolhida a médica!

No entanto eu ainda não estava decidida pelo parto normal, nunca foi meu sonho. Comecei a passar com a Dra. Camila com 28 semanas. Ela me indicou a enfermeira obstetra Karina Fernandes, a pediatra Amanda Melhado e nesse mesmo período escolhi minha doula, Thais Escudeiro que, por coincidência, é irmã da Camila.

O tempo passou, o medo aumentou, e eu pensava: “onde fui me meter? A cesárea não é tão ruim!” Kkkkk. Mas tudo canalizou para um lindo momento!

Dia 20 de março de 2016, 37 semanas e 6 dias e a bolsa rompeu às 5:15 horas. Chamei o marido e ele disse: – Não é xixi??? Kkkkk, nãooooo, respondi. Liguei para a doula e às 8h ela chegou em minha casa, me fez massagem, acupuntura, cronometramos o tempo das contrações e vimos que estava longe de Luiza nascer. Por volta do horário do almoço ela foi descansar um pouco e pegar a bola de pilates e me disse: esse parto vai adentrar a madrugada. Eu pensava que não, mas ela estava certa!

19h a doula retornou e 20h30 chegou a enfermeira obstetra. As contrações continuavam bem irregulares e eu estava apenas com 1,5 de dilatação. Combinamos que iríamos para o hospital por volta das 3h/4h da manhã, mas as 23h30 as contrações começaram a durar cerca de 40 segundos e eu disse: vamos!!!

No carro, eu já não estava lá muito normal (acho que já era a tal partolândia). Eu dizia 30 vezes por minuto para meu marido ir devagar. Os buracos, as curvas, TUDO fazia as contrações serem mais doloridas.

Saí de casa 00h40 e chegamos ao hospital 1h10, passei com a plantonista e estava com 3 dedos de dilatação. Eu pensava: “ferrou”… Se com três dedos não estou aguentando, como será daqui para frente!?

Fui admitida e me levaram para a suíte 1 do Hospital Santa Joana. Logo em seguida entraram a médica, a enfermeira e a doula. Enfim, minha equipe estava ali para cuidar de mim! Só faltava a pediatra, que também logo chegou.

Tomei anestesia, que não foi aquela que paralisa de vez, e esperamos a dilatação total. Em mais ou menos 3h ela aconteceu e daí começou a luta. Luiza era grande, eu sabia, e ela precisava sair dali. Durante duas horas tentamos de tudo: posição ginecológica, de lado, colocaram dois tipos de barra para eu fazer força, me alongaram, me deram a banqueta (…).

Aqui cabe um adendo, nesse momento me deu hipoglicemia e minha pressão baixou a 6×4, mas rapidamente a médica colocou glicose no soro e em segundos eu estava ali, pronta para continuar a fazer força. A Enfermeira Obstetra subiu na maca, passou o rebozo por baixo de mim, deu uma sacudida no meu quadril para Luiza mudar de posição e nada, quando ouvi a médica dizendo: “Paula, temos a posição quatro apoios e por último, fórceps”. Pedi episiotomia e ela explicou que não adiantaria. Pois bem, eu já estava muito cansada, já havia quase 27 horas que a bolsa tinha rompido e que eu não dormia. E eu precisava continuar a fazer força.

Então em um determinado momento em que eu fui ajeitar o travesseiro, os puxos começaram e senti vontade de fazer força, fiz muita, muita força, senti o círculo de fogo e Luiza nasceu ❣❣❣ Detalhe: neste momento eu já estava sem o efeito da anestesia, mas expulsivo não dói e eu nem percebi.

Tive que tomar três pontinhos no períneo: Luiza chegou rasgando. Pesou 3.930 kg, 51 cm e chegou com apgar 10 e 10. Chorei demais. Meu marido – que eu só vi chorar uma vez na vida até hoje, quando seu avô faleceu – se debulhou em lágrimas.

Foi a mais linda experiência das nossas vidas! Se faria de novo? Certamente que sim!! 8h10 ela nasceu, 1h40 fui para o quarto e 12h30 já estava tomando banho sozinha, sem tontura, sem encurvamento, sem dor!

Luiza é a tranquilidade em pessoa. Ela não foi aspirada, o cordão foi cortado após 50 minutos do nascimento, mamou na primeira hora de vida, o ar condicionado foi desligado e a luz estava baixinha. Não tomou banho no primeiro dia. Apenas o nitrato de prata foi colocado, pois meu exame não ficou pronto a tempo e não havia como brigar com o protocolo do hospital.

Esse é o meu relato. Agora posso dizer que venci meus medos e que sou uma VBAC, com muito orgulho ❣❣❣❣

Paula Bruni

Chegada da Luiza